Por trás da recente discussão entre Steve Jobs, da Apple, e a Adobe, uma sigla surgiu no centro do debate.

Até o lançamento do iPad, em janeiro, o HTML5 tinha sido assunto de programadores e uns poucos especialistas em internet. Ao decidir não incluir plug-ins da Adobe no aparelho, no entanto, a Apple acabou chamando atenção para a linguagem.

Trata-se de uma versão atualizada do HTML (Hypertext Markup Language no original em inglês), o código cujas informações são a base da web. Está sendo desenvolvida há cinco anos – é prevista uma versão final para 2012 – para permitir que vídeos e outros recursos sejam usados sem necessitarem de plug-ins, programas que precisam ser instalados nos navegadores para que possam ser utilizados recursos multimídia que não estão presentes no HTML. Atualmente a versão em uso na internet – 4.01 – exige estes plug-ins.

Um exemplo: vídeos. Para visualizá-los no YouTube, o mais popular serviço de vídeos do mundo, é preciso baixar um plug-in do Flash Player, programa produzido pela Adobe e o mais utilizado na internet. Da maneira como funciona, o plug-in é ativado, servindo como um intermediário entre o arquivo e o navegador, que não consegue ler o código sozinho. O HTML5 em tese elimina esta necessidade, fazendo que tenha sido anunciado como “matador do Flash”.

Na semana passada, Steve Jobs publicou um artigo no site da Apple em que defendeu uma internet sem o uso do Flash, responsabilizando o programa por falhas, alto consumo de energia e lentidão.

“O Flash foi criado na era do PC, para PCs e mouses”, escreveu. “O Flash é um negócio de sucesso para a Adobe, e entendemos por que querem levá-lo para além do PC. Mas a era móvel é sobre dispositivos de baixo consumo de energia, interfaces de toque e padrões abertos para a web, todas as áreas onde o Flash falha”.

A Adobe, por sua vez, rebateu, numa entrevista de Santanu Narayen, seu executivo-chefe, culpando o sistema operacional da Apple pelos problemas. A empresa nega que o Flash vá acabar depois do HTML5. De todo modo, no YouTube está no ar desde janeiro uma versão experimental na nova linguagem. Segundo o site, o uso do HTML5 está na lista dos recursos mais pedidos pelos usuários. Por enquanto há limitações: não é possível mostrar anúncios, legendas ou anotações nos vídeos.

Não se trata, contudo, de uma discussão envolvendo apenas as duas empresas ou apenas os serviços de vídeos. Google (Chrome), Microsoft (Internet Explorer) e Mozilla (Firefox) adaptaram as versões mais novas de seus navegadores ao HTML5. No fundo, afirma Matthew Papakipos, está em discussão o futuro dos próprios computadores.

“Computadores estão se tornando menores e mais móveis. Telefones estão se tornando mais poderosos e mais parecidos com computadores e eles estão se encontrando no meio disso. Pegue HTML5 e netbooks e todas essas coisas e isso faz sentido”, disse numa entreista ao site Ars Technica.

Isso quer dizer que pessoas comuns terão que saber HMTL5? Não. Como no caso do HTML em todas as suas versões, trata-se apenas de uma linguagem, não vista no resultado final. Mas sua existência será perceptível no que tem de bom. Uma internet mais rápida e complexa.

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